Coleta Seletiva Solidária chega ao Centro de Nova Iguaçu
Cinco dos cerca de 40 catadores de Nova Iguaçu já cadastrados no projeto Coleta Seletiva Solidária, da Secretaria de Meio Ambiente, Agricultura, Desenvolvimento Econômico e Turismo (SEMADETUR), já abandonaram as carroças e os burros-sem-rabo que utilizavam para recolher material reciclável pela cidade e passaram a trabalhar com bicicletas especiais. Além disso, todos receberam uniformes e equipamentos de segurança pessoal. O objetivo da SEMADETUR é estimular a reciclagem e oferecer melhores condições de trabalho aos catadores.
“Acreditamos que vamos passar a trabalhar com mais dignidade porque as pessoas costumavam nos tratar com certo preconceito, por puxarmos carroças e por não termos nenhuma identificação, apesar de sermos trabalhadores como qualquer outro”, conta Valdinéia Inácio Pereira Pedrosa, de 40 anos, moradora do bairro Santa Rita.
Valdinéia é catadora há quatro anos e o marido, José Carlos Freire Junior, de 34, há 18. O casal tem sete filhos e sustenta a família com o dinheiro que consegue catando recicláveis descartados por lojistas. “Trabalhávamos de segunda a sábado, das 08h às 23h, sem roteiro e, muita das vezes, sem a colaboração dos lojistas. Agora, como está organizado e os lojistas estão cientes, vamos trabalhar com horários e sem perder tempo, pois o material já estará separado para gente. Assim, teremos mais tempo para a família”, comenta Valdinéia.
De acordo com Fernando Cid, secretário da SEMADETUR, a ideia surgiu na Semana Nacional do Meio Ambiente, em junho. “Começamos com o cadastramento dos catadores, palestras e treinamentos. É um processo que só tende a crescer. Estamos trabalhando baseados em três vertentes: social, com a valorização do trabalho, dando dignidade; econômica, com a geração de emprego e renda; e ambiental, evitando o despejo irregular de resíduos nas vias”, diz Fernando Cid.
O serviço já foi implementado no bairro Ponto Chic, na semana passada, com três catadores. E seguirá para outros bairros em 2018, como Cabuçu e Morro Agudo. No Centro, o número de catadores vai aumentar por conta da demanda. O material recolhido é levado para diversos compradores, como ferros-velhos. No ano que vem, o objetivo é encaminhar diretamente para uma cooperativa. “Hoje, eles conseguem 25 centavos por quilo de papelão, por exemplo. Negociando diretamente com a cooperativa, eles vão poder tirar 40 centavos por quilo de papelão”, explica Hélio Vanderlei, subsecretário de Meio Ambiente.
A SEMADETUR tem o apoio dos lojistas, da Empresa de Limpeza Urbana (EMLURB) e da Subsecretaria de Controle Urbano.