Mais de cinco mil pessoas se mobilizam em favor do Hospital da Posse
Em novembro do ano passado, após sofrer um acidente de carro em Queimados, a vendedora Sara da Silva, de 37 anos, foi trazida ao Hospital da Posse, em Nova Iguaçu, com fratura exposta na perna. Foi atendida na emergência, submetida a uma cirurgia e, após 10 dias internada, recebeu alta. A história poderia ter tido outro final se o atendimento emergencial não tivesse sido feito a tempo. Sara, moradora de Japeri, foi uma das centenas de pessoas que participaram na manhã desta quarta-feira (12) da grande mobilização popular Todos pelo Hospital da Posse. O ato foi organizado por diversas instituições governamentais e religiosas, movimentos sociais, sindicatos, sociedade civil, ONGs, conselhos municipais, entre outros.
Com faixas, cartazes e palavras de apoio, mais de cinco mil pessoas saíram da Universidade Federal Rural, no Centro, e caminharam cerca de dois quilômetros em direção ao hospital. O objetivo era chamar atenção dos governos federal e estadual para regularização dos repasses e, com isso, melhorar o atendimento na unidade que recebe em média cerca de 13 mil pacientes/mês, sendo 45% deste total pessoas de outros municípios.
“O recado foi dado: a Baixada não irá se calar mais diante da falta de investimentos. O Hospital da Posse é de todos. Se o governo federal não entendeu o recado, vamos pessoalmente à Brasília. O hospital é cedido ao município através de um acordo, na qual prevê investimento de 70% com verba federal, 15% estadual e 15% municipal. Porém, só Nova Iguaçu está custeando. Encontramos uma cidade devastada financeiramente, estamos quitando três folhas salariais não pagas pela antiga gestão. A prefeitura não pode mais pagar a conta do hospital sozinha”, diz o prefeito de Nova Iguaçu, Rogerio Lisboa.
O Hospital da Posse é a maior emergência da Baixada Fluminense. Além de atender pacientes de Nova Iguaçu e outros municípios é porta de entrada para os acidentados na Rodovia Presidente Dutra e do Arco Metropolitano. Para o bispo de Nova Iguaçu, Dom Luciano Bergamin, que participou do ato representando a arquidiocese do Rio de Janeiro, a mobilização representa a união da Baixada.
“A força do povo esteve hoje aqui demonstrada. Diante das dificuldades que o hospital enfrenta, essa é uma mobilização ecumênica, sem partido. A saúde da Baixada está doente. É um apelo da população para que as autoridades olhem para nós”, ressalta.
Segundo o diretor do hospital, Joé Sestello, para manter a unidade seria preciso repasses em torno de R$ 14 milhões. Entretanto, recebe do Ministério da Saúde R$ 6,3 milhões. Outro fator que vem agravando a situação são os atrasos da Secretaria Estadual de Saúde no repasse da verba. A dívida já chega a quase R$ 33 milhões.
“O hospital está sobrecarregado, atendendo uma população em mais de três milhões de pessoas. O Ministério da Saúde precisa entender a prioridade desta unidade. Mesmo com plano de saúde, o primeiro atendimento de um acidentado, por exemplo, é no Hospital da Posse. É aqui que se salva vidas”, afirma o diretor.
Representantes da comunidade evangélica também estiveram presentes. Pastor da 1° Igreja Batista de Nova Iguaçu, Edgar Barreto Antunes, elogiou a mobilização. “Nossa missão é dar voz aos que precisam e a missão do hospital é salvar vidas. Estamos aqui para pedir por centenas de pacientes que precisam daquela unidade”, destaca.
Participaram ainda do ato o vice-prefeito de Nova Iguaçu, Carlos Ferreira; o deputado estadual Luiz Martins; o presidente da Câmara de Vereadores da cidade, Juninho do Pneu; vereadores de Nova Iguaçu e de outros municípios da Baixada; secretários de diversas pastas de Nova Iguaçu, entre outras autoridades; além de representantes do Centro de Direitos Humanos, Fórum Grita Baixada, União Brasileira de Mulheres, Universidade Rural de Nova Iguaçu, MAB, Cruz Vermelha, Conselho Municipal de Saúde de Nova Iguaçu, Projeto Alegria, pastoral da Criança e da Juventude, Avicres, Lubesni, Projeto Movimento e Vida, Grupo da Terceira Idade de Nova Iguaçu, Escola de Samba Independente de Nova América, Sindicato dos Rodoviários, banda da Casa do Menor São Miguel Arcanjo, entre outras instituições.