Prefeitura, governos federal e estadual se unem para mapear sítios arqueológicos em Tinguá
O secretário de Cultura de Nova Iguaçu, Wagner D’Almeida, visitou nesta segunda-feira (21-03) a Vila de Iguassú, na região de Tinguá. Acompanhado por técnicos do Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico nacional (Iphan), do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) e do Instituto Histórico e Geográfico de Nova Iguaçu, ele visitou o local com o objetivo de demarcar a área do sítio arqueológico. A primeira análise foi feita e o próximo passo será traçar as principais metas para que o projeto seja executado. Há um ano o Ministério Público recebeu denúncias de que sítios da Vila de Iguassú eram alvos de construções irregulares, tirando assim todo o caráter histórico e arqueológico.
Acompanhado por agentes da Polícia Federal, o secretário e técnicos percorreram diversos locais. Em um dos sítios, a torre da sineira estava cercada com arame. Um morador destacou que a medida foi tomada para proteger o patrimônio público, pois são feitos muitos despachos (oferendas) no local. Em frente à torre há também um cemitério histórico. “Essa parceria entre Prefeitura, governo estadual e União é fundamental para recuperarmos a Vila de Iguassú, que é uma região histórica”, destacou Wagner D’Almeida, acrescentando que fará também uma visita à Fazenda São Bernardino.
De acordo com a diretora do Departamento de Patrimônio Cultural e Natural do Inepac, Denise Mendes, a medição da área do sítio arqueológico está começando a ser feita, mas já se percebe que há muitas construções irregulares. “Estamos verificando a denúncia do Ministério Público e, em parceria com a Prefeitura, o Iphan e outros órgãos que preservam o patrimônio, vamos demarcar o sítio arqueológico”, frisou Denise Mendes, ao lado da arquiteta Maria Cristina Pimentel.
Arqueóloga do Iphan, Cristina Leal explicou que a análise ainda é preliminar, pois novas visitas à Vila de Iguassú serão feitas até que a área do sítio arqueológico seja delimitada. “Um estudo mais profundo será feito, pois creio que pode ter alicerce de alguma construção antiga ainda no subsolo”, comentou.
Em um dos sítios foi encontrado o local onde ficava um porto no século XIX. O porto servia de entreposto para os fazendeiros da região que exploravam a venda de café. O atual proprietário construiu a poucos metros do antigo porto, o que é proibido. Ele foi comunicado que terá que derrubar o pequeno imóvel. “Essa é uma área muito rica em história. Na década de 30 o abandono daqui era total, pois havia medo dos casarões desabarem. A demarcação será muito importante para recuperarmos este espaço”, avaliou o presidente do Instituto Geográfico de Nova Iguaçu, José Luiz Teixeira.
Participaram ainda da visita o pesquisador Édson Ribeiro (grupo Amigos do Patrimônio Cultural); o coordenador de Patrimônio da Secretaria Municipal de Cultura, Mario Monteiro; o diretor de Cultura, Marcelo Borghi e a arqueóloga do Iphan, Regiane Gambim.