Dia Nacional do Surdo é comemorado na Escola Monteiro Lobato com palestras e oficinas para os alunos

Polo de Surdez, a Escola Municipal Monteiro Lobato, no centro de Nova Iguaçu está comemorando o Setembro Azul,- Dia Nacional do Surdo, dia 26- pelo segundo ano consecutivo. Com 55 alunos matriculados com deficiência auditiva, a unidade escolar realiza nesta quinta-feira, das 9h às 12h, oficinas com os alunos e a palestra voltada para os professores “Recebi um aluno surdo e agora?”.

Na manhã desta quarta-feira, um encontro o palestrante Fabiano Correia, 31 anos e surdo de nascença fez a diferença para os alunos que participaram do encontro. Acostumado a viajar pelo país com sua experiência, o jovem que cursa pedagogia falou por meio da Língua Brasileira de Sinais, LIBRAS como o surdo pode usar a dança para se comunicar e se libertar.

Ele começou a dançar com 10 anos, influenciado pelo som de Michael Jackson. Imitava o cantor e passou a sentir a vibração das músicas. “Precisamos que as músicas estejam em som alto para sentirmos a vibração”, contou. A falta de informação sobre como lidar com o surdo e o diagnóstico tardio são problemas enfrentados pelos deficientes auditivos.

Sua família mesmo só se deu conta de seu problema aos 4 anos. “Minha mãe achava que eu era ouvinte. Uma pessoa que trabalhava em nossa casa foi que percebeu ao me chamar sem que eu atendesse”, concluiu.

Diante dos relatos, todos traduzidos pela equipe de intérpretes da escola, os alunos participaram ativamente. Fizeram perguntas e interagiram o tempo todo com Fabiano. Mas o que eles mais gostaram foi de dançar e pediram para repetir a dose ao final da palestra.

A diretora da escola, Maria Fátima dos Santos Quintas chegou a se emocionar com os relatos, já que a educação inclusiva vai da educação infantil ao 9º ano. A proposta da equipe é que toda a unidade escolar se torne inclusiva. Para se tornar inclusiva, a escola está adotando medidas simples como a sinalização em Linguagem de Sinais em todos os setores. A colocação dos desenhos e as sinalizações nas portas contaram com a participação das mães, professores e alunos.
Para se tornar inclusiva, a escola está adotando medidas simples como a sinalização em Linguagem de sinais de todos os setores. A colocação dos desenhos e as sinalizações nas portas contaram com a participação das mães, professores e alunos.

Mãe da aluna Nicole Oliveira Simões de 10 anos, Michelle de Souza Oliveira, 28, só descobriu a surdez da filha há quatro anos. “No início foi muito difícil, mas hoje estou aprendendo LIBRAS junto com ela. E hoje este depoimento foi muito importante para minha filha. Serve de estímulo”, contou.

Já Rita de Cássia sempre percebeu a dificuldade da filha Isabela Teixeira da Conceição, 8 anos em falar, mas os médicos diziam que era preguiça da menina. E só quando ela tinha quatro anos, por orientação de um amigo procurou um especialista, que constatou o problema. “Desde então a matriculei na escola e ela vem se desenvolvendo bem. Tenho certeza de que irá alcançar voos mais altos”, sonha.