Educação de Nova Iguaçu investe em formação sobre cultura africana

Cultura africana é matéria durante todo o ano na Rede Municipal de Ensino de Nova Iguaçu, que investe na formação dos professores de Artes, de Incentivo à Leitura e, de Incentivo à Leitura e Produção Textual (ILPT). São oficinas de turbantes, de bonecas pretas e de cabelos como forma de afirmação positiva da etnia negra nas escolas. E não é só isso. Em sala de aula, os alunos aprendem sobre a cultura por meio de literatura, teatro, dança, histórias e brincadeiras africanas.

Até mesmo as escolas de educação infantil já trabalham as questões raciais, como a EMEI Jardim Europa, no KM 32, que recentemente reuniu os estudantes para assistir a esquete sobre o tema. De forma lúdica os professores mostraram para os alunos como os negros foram escravizados ao chegarem ao Brasil, mas também que foram libertos.

No dia 27 de novembro os alunos da rede apresentarão, no Complexo Cultural de Nova Iguaçu, o projeto “Africanarte”. A ideia é mostrar a diversidade a partir de uma tela, onde os alunos farão um quadro vivo representando a si mesmos. Os professores que participaram das oficinas são multiplicadores nas unidades escolares.

“Nós não queremos que a africanidade seja lembrada apenas no dia da Consciência Negra, em 20 de novembro, mas sim que haja a construção da identidade dos alunos afrodescendentes, que são quase maioria nas salas de aulas”, explicou a secretária de Educação Maria Aparecida Marcondes Rosestolato.

A tarefa de levar para as escolas a discussão da temática racial sob o ponto de vista da afirmação positiva e construção da identidade é da Subsecretaria de Gestão Pedagógica. De acordo com a professora, Vanessa Gnisci é preciso fazer com que a criança, independente de sua cor, tenha orgulho de sua história e se veja realmente como é. “Muitos não assumem ou não se veem como negros porque a história que conhecem é só de tristeza e derrota”, explicou Vanessa.

Para mudar este quadro, os professores passam por formação continuada e mesmo assim ainda existe resistência por parte de alguns profissionais que não compreendem a necessidade de disseminar a Lei 10.639_ que versa sobre o ensino da história e cultura afro-brasileira e sua contribuição na formação da sociedade brasileira. O processo de sensibilização é feito com alunos, professores de Educação Física, Educação de Jovens e Adultos, Língua Portuguesa, História e Geografia.

Oficinas

Recentemente, os professores participaram das oficinas de “Turbantes”, “Boneca Preta é Identidade” e “Toque o seu Cabelo”, com as Meninas Black Power, na Universidade Estácio de Sá, onde também participaram de palestra sobre o “Artigo 26 A da LDB no Cotidiano Escolar”- que estabelece o ensino sobre a História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares.

O tema foi ministrado pelo professor do Laboratório de Estudos Afro-Brasileiros (Leafro) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Otair Fernandes. “A palestra me ajudou muito a refletir sobre as ações e postura com os alunos. As barreiras podem ser vencidas com criatividade, literatura e contação de histórias”, contou a professora da Escola Municipal Orestes Bernardo Cabral, Mônica Souza Paulúcio.

Já a incentivadora da leitura Maria Aparecida da Costa, que participou da oficina de autorretrato vai aplicar o aprendizado com os alunos.